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Artigo: O processo do sono e os sonhos

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Freud dizia que “o sonho é o fiel guardião da nossa saúde psíquica, da nossa alegria de viver, uma vez que a vida não passa de uma contínua procura do prazer, contrariada pela realidade”. Sonhar faz com que possamos aliviar nossos pensamentos, ideias e toda aquela energia acumulada no inconsciente e no corpo. O sonho funciona como uma “válvula de escape”, em que o nosso inconsciente se satisfaz através dele e ao mesmo tempo, o conteúdo simbólico do sonho sempre diz algo sobre seu interlocutor.

Os sonhos devem ser entendidos como uma expressão simbólica, um processo importante para a saúde física (corpo), espiritual e a psique. Um recurso valioso para o autoconhecimento. Ele possui um papel imprescindível para a intersecção entre corpo e mente e ao mesmo tempo em que é um canalizador de tensões reprimidas, outrora, alivia manifestando esta energia através da fantasia e sentimentos vividos no sonho.

Os estudos mais recentes revelam que o ato de sonhar tem a duração de 10 a 40 minutos, variando de pessoa para pessoa, cujo processo baseia-se em quatro estágios para  que aconteça todo o processo do sono e o surgimento do sonho.

No primeiro estágio ainda estamos acordados, conscientes, nos preparando para dormir. Um estado de relaxamento e de pensamento reduzido. Um momento de abstração. É no segundo estágio que surge o sonho.

Contudo, podemos ter espasmos e voltar ao primeiro estágio. Aquela famosa sensação de cair. Este é o espasmo. Uma vez adormecidos, passamos rapidamente do segundo para o terceiro estágio, uma atividade cerebral intensa. No quarto e último estágio, acontece uma redução destas atividades cerebrais e corporais, assim como o coração que bate mais lentamente.  Cai a temperatura do corpo e a pressão do sangue.

Dormir bem é sinal de mente e corpo mais relaxados e mais saudáveis, portanto, prenúncio de um dia mais agradável. O sonho é uma consequência da produção do inconsciente. Situações rotineiras vivenciadas, emoções e sentimentos que precisam ser manifestados por alguma razão.

Muitas pessoas não conseguem descansar adequadamente durante o sono e apresentam desde distúrbio do pesadelo, sonambulismo, terror noturno, paralisias e até mesmo síndrome da alimentação noturna. Isso porque a atividade mental é tão intensa que incomoda e revela outras questões como ansiedade e medos.

Esta atitude pode ajudar a ter sonhos mais agradáveis, mas outros comportamentos também podem ajudar neste processo. Tente ir para a cama todas as noites no mesmo horário e tente acordar no mesmo horário todas as manhãs, para garantir que você está tendo o descanso adequado. Para se ter uma boa noite de sono são necessárias de 7 à 9 horas de duração. Um ambiente acolhedor, sem barulhos e sem iluminação intensa também favorece o bom sono.

Outras pessoas levam seus problemas para a cama e assim, ficam mais vulneráveis a pesadelos. Estresse, preocupações, ansiedade, nervosismo e privação do sono são as principais causas de pesadelos, assim como alguns medicamentos.

O inconsciente, o campo de centeio dos sonhos, possui necessidade de se manifestar, mas o fato de não lembrar da maioria dos sonhos ou apenas fragmentos deste, pode ter inúmeras razões. Uso de medicações, álcool, drogas, cansaço ou distúrbios do sono são os motivos mais comuns.

clock-650753_1280As imagens que vivemos no sonho são imagens de memória de curto prazo e se esvaem muito facilmente. Dez minutos depois de acordar, esquecemos 90% do sonho. O fator principal para esquecermos o conteúdo do sonho é porque podemos também esquecer sonhos que não queremos lembrar, sonhos desagradáveis e que a experiência pode ter sido traumática. Existe uma censura, uma resistência para perceber situações ou sentimentos que podem causar dor e sofrimento, numa leitura mais freudiana.

O conteúdo de um sonho pode ser algo do dia anterior, como pode ser qualquer outra coisa da vida da pessoa. Os sonhos são atemporais, ou seja, não existe um padrão cronológico, bem como, esses conteúdos podem se misturar. Podemos sonhar com algo que aconteceu um dia antes e no mesmo sonho com algo ou alguém de anos atrás. Tudo isso são manifestações latentes do inconsciente que faz um movimento livre e muito independente. Nem tudo possui uma lógica e nem tudo pode ser interpretado.

Sonhos repetidos, por exemplo, acontecem porque alguma coisa está acontecendo na vida da pessoa, provavelmente algo do passado dela, na qual não consegue compreender e que ficou reprimida, reverberando através do sonho.

Existe um fenômeno que se chama “sonho lúcido” e é muito comum acontecer. As pessoas tem consciência de que estão sonhando e pode até manipular os acontecimentos deste sonho.

Existem algumas técnicas para o controle dos sonhos e até mesmo, sonhar um pouco mais. A pessoa pode fazer uma autoindução antes de ir dormir, pensando que deseja estar ciente do que está sonhando. Outra técnica é a “verificação de realidade”, que consiste em olhar para alguma coisa durante o sonho, como números. Olhe para outra coisa e volte a olhar para aqueles números. Se caso eles mudarem ou desaparecerem a pessoa não está no controle do sonho. Podemos observar esta técnica no filme “A Origem”.

O bom e velho caderninho de anotações ao lado da cama é uma boa medida. Anote tudo que conseguir lembrar, mesmo que pareça estranho ou sem sentido. Lugares, pessoas, objetos, sensações e se conseguir lembrar, diálogos.

O psicólogo Carl G. Jung dizia que “aquele que olha para fora, sonha, mas aquele que olha para dentro, desperta”, e de fato, sonhos é uma maneira de se comunicar com nosso ‘eu’ interno.

Não existe uma maneira de se interpretar um sonho, até porque, sonhos podem sofrer distorções da censura. Qualquer interpretação não deve seguir um padrão, mas basear-se na história de vida da pessoa que sonhou. O sonho deve fazer sentido, ou não, para ela e para nenhuma outra pessoa, afinal, o sonho é íntimo e pessoal. O terapeuta deve se pautar na referência de quem sonhou para juntos caminharem numa interpretação que possa ajudar o cliente a conhecer um pouco mais a si mesmo. O próprio Jung também afirmava que “dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos e ele fala conosco através dos sonhos”.

Em suma, a psicologia não deve interferir e nem se opor às crenças das pessoas, mas tais crenças são informações importantes para se compreender o indivíduo. A interpretação dos sonhos em nada deve ser confundida como ou estar vinculado à preceitos religiosos.

Não é papel da psicologia eliminar ou desqualificar nenhuma religião, tampouco se opor à alguma. Não existe unanimidade em nada na vida e a psicologia também não é.

As pessoas são livres e autônomas para ter as próprias convicções, manter, rever e transformar ideias e opiniões. Acredito no respeito entre a psicologia e qualquer outra área da ciência. A leitura do ser humano deve seguir sua pluralidade e jamais direcionar o olhar para uma única direção Interpretar um sonho, terapeuticamente, de maneira adequada, deve seguir estas concepções e ser encarada como um instrumento a mais para facilitar a compreensão de conflitos e angústias.

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